
O caso ganhou repercussão após um professor ter sido agredido pelo pai de uma aluna dentro da unidade de ensino. Imagens de câmeras de segurança no local mostram o momento em que o educador recebe socos e chutes na sala da coordenação. O motivo da agressão, segundo as versões colhidas pela Polícia Militar (PMDF), teria sido uma repreensão feita pelo educador à estudante, que usava o celular em sala de aula.
O episódio só terminou com a intervenção da própria filha, que conteve o agressor com um "mata-leão". Na delegacia, o professor manifestou interesse em representar judicialmente contra o pai e disse que o episódio o abalou. "Jamais imaginaria que algo dessa gravidade aconteceria comigo ou com qualquer outro colega", afirmou. O agressor foi liberado após assinar termo de compromisso de comparecimento.
A defesa de Thiago Lênin Sousa Silva Batista, pai da aluna, informou em nota que o cliente agiu "de forma impensada" ao agredir o professor, após receber um pedido de ajuda da filha. O advogado reconheceu que a atitude foi "reprovável e inaceitável", mas defendeu que o ato não deve ser "criminalizado como está sendo". Segundo ele, o acusado "se arrepende profundamente" e teria agido em um "surto momentâneo de um pai que só queria proteger a filha, que é a verdadeira vítima no ocorrido".
A defesa alegou ainda que a adolescente possui deficiência visual e que, no dia do episódio, estava sem os óculos e utilizava o celular para copiar o conteúdo da lousa — prática que, segundo o advogado, era permitida por outros professores. Ele afirma que o docente teria proferido "palavras de baixo calão" diante da turma, o que fez a estudante se sentir humilhada e levou outros alunos a se revoltarem. A nota acrescenta que a jovem vem recebendo apoio de colegas e está sendo acompanhada por profissionais de saúde. Ainda conforme o documento, o pai "reconhece o erro, mas reforça que atitudes agressivas não surgem sem contexto e que o respeito deve ser mútuo dentro do ambiente escolar".
Após o caso, estudantes da escola se manifestaram nas redes sociais para relatar episódios de comportamento inadequado do professor. Em publicações, eles afirmam que o docente teria "agido com desrespeito e xingamentos dentro da sala de aula". Segundo os relatos, alguns alunos chegaram a comunicar à coordenação que não assistiriam mais às aulas com o educador, alegando sentirem-se humilhados. Representantes do grêmio estudantil também teriam se reunido com a direção para cobrar esclarecimentos e a retirada do professor da unidade.
Procurado pelo Correio, o professor negou as acusações feitas pelos estudantes e afirmou que a situação está sendo distorcida. "Estão todos com raiva do que aconteceu e agora querem inverter as coisas e tentar justificar o injustificável", declarou. Ele também rebateu as alegações de que teria ofendido alunos. "Se eu xingo tanto quanto falam, por que não apareceu nenhum vídeo mostrando?", afirmou. O professor ainda disse que tomará medidas judiciais contra os envolvidos.
Em nota, a Secretaria de Educação ressaltou que "nenhuma conduta em desacordo com os normativos vigentes justifica ou legitima agressão a professores da rede pública de ensino". Conforme a pasta, a postura de violência desrespeita o ambiente escolar e afeta toda a comunidade educativa. "A situação reforça a necessidade de que a violência — de qualquer tipo — não seja banalizada, uma vez que os professores são autoridades em sala de aula, essenciais para a formação dos estudantes, e merecem respaldo institucional para exercerem seu trabalho com dignidade e segurança", escreveu o órgão.
Enquanto o caso é apurado pelas autoridades, a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) aprovou, na terça-feira, em segundo turno, a redação do Projeto de Lei, apresentado pelo deputado Roosevelt Vilela (PL), que torna obrigatório o uso de sistemas de monitoramento por câmeras de vídeo em escolas e creches, tanto públicas quanto privadas. A medida foi votada em conjunto com o PL que institui o Sistema de Registro de Atividades (SRA) nas instituições públicas de ensino do DF — autoria do deputado Thiago Manzoni (PL) — e aprovada com 15 votos favoráveis e cinco contrários.
Fonte Metrópoles
